domingo, 5 de maio de 2013

Estrada


Ia assim, meio assim meio assado.
Cantava, bebia, tragava e acelerava.
Chorava, gritava, bebia e acelerava.
Cochilava, lembrava, sorria e acelerava.
Urrava, sangrava, cochilava e acelerava.

E por entre quilômetros de lágrimas e madrugadas de cafeína e álcool  parou. Apenas parou. Desceu, olhou. Pegou uma pedra, a maior que tinha em volta e a soltou no acelerador. Entre uma tragada e um gole, assistia o show. Lentamente o carro descia, descia e descia, até cair de vez, se destruir e explodir. Ele sorriu. Secou uma lágrima perdida no canto do olho esquerdo, atirou a garrafa vazia para longe e começou a andar. Para longe também...