sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Talvez o impossível seja possível.

“Talvez o impossível seja possível.” Uma voz ecoava em minha mente. Eu queria acreditar nessas palavras, afinal, não sabia onde me encontrava. Tudo o que lembrava era que corria por uma rua escura, fugindo de alguns assaltantes. Um tiro. Uma dor em meu ombro. Minha visão escurecendo… e agora, havia acordado em um lugar completamente diferente.

                Estava em uma floresta, mas não era uma floresta normal e cheia de vida. Ela estava morta. As árvores quase nuas, expostas ao cinza do dia, com suas folhas voando por meus pés, tão cinzas quanto o sol que parecia distante e ofuscado demais. Levantei-me e andei pelas árvores mortas, algumas plantas e rosas ao meu redor, ainda com vida, perdiam sua cor aos meus passos.

                “Talvez o impossível seja possível.” Repetia a voz. Olhei ao meu redor e não havia mais sequer um vestígio de vida. Estaria eu também morta? E se estivesse, então esse era o paraíso ou o inferno? Não parecia com minhas crenças de nenhum dos dois. Talvez eu estivesse no meio termo, onde as almas ficam antes de serem julgadas.

                Uma ventania inundou meus olhos de areia seca e tão morta quanto meu coração, coloquei meu braço em meus olhos e quando os abri, estava novamente na rua escura. Mas algo estava diferente.

                Quando se está morto, a única certeza que se tem é que seu coração jamais vai voltar a bater novamente. Escutei risadas vindo de um beco. Caminhei até lá e em minha mente a voz ecoava: “talvez o impossível seja possível.” As risadas aumentavam de altura.

                Um corpo encontrava-se no chão, totalmente destruído. Uma poça de sangue ao redor do corpo, e o rosto que estava inchado de uma forma exagerada demais. Era a imagem da minha morte. Olhei para o lado, e meus assassinos riam como loucos, como se houvessem ganhado na loteria.

                Dois estavam com minha bolsa, pegando todo o dinheiro e coisas valiosas. Os outros dois terminavam de retirar os pertences de meu falecido corpo. Um dos assassinos retirava meu cordão de coração. Instintivamente minha mão foi para o cordão. Estava comigo, mas quando ele retirou do corpo, meu pescoço fantasma perdeu o peso do cordão e uma mistura de ódio e nojo cresceu em meu sistema sem vida.

                Corri para cima do ladrão, mas quando meu punho ia acertá-lo, eu o atravessei. Um fantasma jamais poderia tocar um humano. Meus olhos ardiam de raiva.

                “vamos embora, já pegamos tudo.” Disse um dos ladrões.

                Segui-os.

                “Talvez o impossível seja possível.” A voz continuava me dizendo. Minha raiva aumentava a cada passo, a cada risada deles. Vislumbrei o cordão na mão de um deles. A agonia e ódio por minha morte agora gritavam dentro de mim.

                Puxei o corpo do assaltante e joguei na parede do prédio ao meu lado. Ele não viu o que o acertou, mas depois de alguns segundos ele me viu, pois seus olhos emanavam o medo de alguém que vê um fantasma. Literalmente. Desencadeei vários socos em seu rosto e chutes em seu estômago. Os outros nada fizeram, estavam chocados demais.

                - Isso é impossível. – rosnou.

                Enforquei-o na parede e enquanto o levantava disse alto e claro: - Talvez o impossível seja possível, afinal. Vejo você no inferno.

                Em menos de um segundo, joguei-o na parede e quebrei seu crânio sem piedade. Peguei meu cordão do chão e pendurei em meu pescoço. O coração lilás agora estava com uma linha grossa vermelho sangue. Peguei uma faca do bolso do morto e virei-me para os outros três. Sorri maliciosamente para aqueles olhos amedrontados e fui em direção, não mais da possibilidade, mas sim da certeza do impossível ser possível que a morte havia me dado.