terça-feira, 16 de abril de 2013

Conto: Outro Alguém

Victor e Alice viveram em seis meses o que poucas pessoas viveram a vida toda. Foi um sentimento tão puro e intenso que poucos entenderiam. Almas gêmeas muitos diriam. 
Em pouco tempo eles provaram do suspense e da emoção que só um amor em segredo pode proporcionar. Mas provaram também do ciúme e da imaturidade que a pouca experiência os presenteou sorrateiramente. 

Antes do fim, partilharam sonhos e as afinidades de uma vida que poderia ter existido se não fosse pelo orgulho. Partilharam a mesma canção. Foram as melhores e as piores lembranças de ambos.

Victor a amou de verdade? Ela não saberia dizer. 
Mas ela o amou como nunca amará ninguém e com um tipo de amor que talvez muitos nunca venham a conhecer. 

O quanto Victor sofreu? Ela também não saberia dizer. 
Mas ela sofreu como se parte de seu coração tivesse sido dilacerado e seu coração sangrou, sangrou em segredo. Feridas tão profundas que nunca cicatrizariam. Feridas que sangrariam para sempre. Mas que tipo de amor poderia fazê-la sangrar até o fim? 

Alice precisava tentar então ela jurou que daria seu coração a primeira pessoa que ela julgasse merecedora e que tivesse por ela um amor semelhante ao que ele um dia teve. Quando em fim encontrou tal pessoa, ela reuniu o pouco da força que ainda lhe restava. 

Antes de jurar novamente seu amor a outro, ela tentou ter o amor de Victor por uma ultima vez. Mas isso apenas fez com que sua ferida sangrasse ainda mais, pois o orgulho impediu que ele enxergasse a ultima chance que teriam antes que ela desce seu coração a outro. 

Com o pouco de vida que lhe restava, Alice fez um voto a outro. Concluiu um pacto sagrado. Um pacto que não poderia ser quebrado. 

Victor despertou tarde de mais... 

Alice sempre se mantém distante quando percebi que seus sentimentos podem vir a transpor a razão. Talvez ele nunca a entenda. 
Todas as vezes que ela desaparece é pelo simples fato de achar que o amor que tiveram é puro demais para ser maculado por uma conduta imprópria. 

O que os consola, mas que também os machuca é saber que amor que tiveram outrora, foi verdadeiro... 
Ambos viveriam a se perguntar: 
O que poderia ser inexorável como a morte? 
O que poderia os lançar a própria sorte? 
O que poderia lança-los na escuridão? 
O que poderia joga-los nas trevas e no abismo da solidão? 


A resposta era simples e era fácil de encontrar, mas eles só a teriam no silêncio de um olhar...