segunda-feira, 1 de abril de 2013

Mais um...

Por algum motivo que me escapa agora, cismei de ser escritor. Escritor escreve. O que ele escreve a priori não importa. O que importa é que ele escreve. Pus-me, então, a escrever. Para quem não sabia ao certo. Mal sabia o que escrevia. Mas escrevia. Era um escritor, portanto. Escritor é quem escreve. Mas... todo ser humano alfabetizado, funcionalmente alfabetizado, escreve – ou pode escrever –, não? Em que eu me distinguia de todos os homens letrados? Não sabia ao certo. Mal sabia o que escrevia. Mas escrevia. Era, pois, um escritor. Poderia destarte bradar aos quatro cantos “eu sou um escritor!”... Grande coisa... Eu só escrevia. O que me erigiria em algo mais? O que faria de mim um bom escritor? Ser um bom escritor mesmo bastaria? Não sabia ao certo...

Sabia, porém, que, via de regra, o valor dum dado objeto era determinado pela demanda que ele ocasionava. Quanto mais o procurassem, mais ele valeria. Um escritor valioso seria, assim, aquele cujos textos mais angariassem leitores. E como aliciar leitores? Seduzindo-os mesmo. Geralmente somos atraídos por aquilo que nos agrada. Eis que, para que eu fosse um escritor eminente, um escritor de sucesso, um escritor distinto, era suficiente que eu agradasse a considerável número de pessoas. Quantas mais, melhor. Maior demanda: maior valor.

Mas que diabos? Por que eu quereria isso? Em que isso me tornaria melhor que qualquer humano letrado? Ora, meus textos agradariam, então, a expressivo contingente... Todavia, se você parar para pensar, a masturbação também agrada a um expressivo contingente e nem por isso ela é algo louvável, especial ou necessário. Assim, em face desta última colocação, o que, para quem e por que era desejável que eu escrevesse? Não sabia ao certo...

Talvez ser escritor não bastasse... Talvez eu precisasse ser algo além... O quê? Um artista, quem sabe... Mas não é todo escritor um artista? Diabos, não! O que seria, então, nesta melindrosa concepção, um artista? Artista é quem obra obras de arte – é tautológico. O que seria, pois, uma obra de arte? Não sabia – e ainda não sei – ao certo.

Wilton Bastos
310313

Esse é um texto que fiz ontem no improviso. relevem :)