terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Conto: Um Amigo

“Quando o tempo parar de correr
Quando em passos leves a fizer desfalecer
Quando a brisa suave tocar seu rosto e a fizer lembrar
Lembrar que estive ao seu lado
Nos momentos felizes e também no pesar...
Fui teu pai, teu irmão, teu amigo
E daria minha vida para que estivesses comigo
Não mais posso esconder
Não mais posso viver guardando esse segredo
Não levarei para meu tumulo um amor que aqui jaz
Não permitirei que não saibas que a amo
Que amo da forma que sou capaz”

Seu eterno Lucius

Assim terminava a carta que Lucius escrevera para Sarah antes de partir. Era uma tarde chuvosa e suas lágrimas se misturavam à chuva que caia intensamente sobre seu corpo. Deixara a carta junto a uma rosa vermelha que roubara do jardim.
Ela não sabia do amor que o amigo sentia. Sempre achou que ele a amava como a uma irmã querida. Compartilhava com ele seus sonhos, seus segredos e medos. Não imaginava que as simples palavras escritas naquele mero pedaço de papel a tocariam de forma tão intensa. 
Sarah estava prometida a outro. Mas como poderia ser feliz se sua verdadeira alma gêmea não estava mais ao seu lado?
Como poderia desfazer tão sério compromisso? Vivia numa época em que a palavra valia mais que um decreto. Não poderia quebrar tal sagrado compromisso e admirava a coragem de Lucius por se declarar a distância e por não obriga-la a tomar tão difícil decisão.

O CASAMENTO

Sarah fitava-se no espelho e o que o via não era exatamente o reflexo de uma nubente feliz. Pelo contrário, os olhos que a encaravam de volta mostravam uma tristeza atípica da ocasião em questão.
O branquíssimo vestido de noiva lhe caíra bem. A tiara no alto da cabeça, adornando madeixas envoltas em cachos presos em coque elaborado, completava a imagem de uma princesa. Nada faltava ao traje. Aliás, algo estava em excesso. Um bilhete. Uma carta. As palavras de um amor perdido. Palavras lidas em uma noite chuvosa, perdida em lágrimas. Palavras que ela decorou e que jamais seria capaz de esquecer. E que, talvez, nem quisesse...
Todos estavam à espera da noiva. Esperavam o anjo surgir entre as flores do jardim. O tempo passava e ela nunca chegava. A impaciência tomava conta de todos, mas para não serem deselegantes continuavam a sorrir.
Sara estava do outro lado jardim, ainda relendo a carta que ele havia deixado antes de partir. Ela ainda não sabia o que fazer até que fechou seus olhos e uma leve brisa soprou em seu rosto e ela então se lembrou...
Como poderia ser feliz se perdesse quem mais a amou? Quem mais se sacrificou por ela?
Talvez fossem os lábios dele que sopraram a tal brisa, pois ao abrir os olhos ela viu quem tanto desejava. O beijou sem pensar e quando seus lábios se tocaram ela sabia que ninguém mais a poderia amar. 

FIM*

*Na verdade, foi apenas o começo. Deste conto surgiu a ideia de fazer um romance inteiro. O projeto é da Daiane Duarte, autora do conto e colunista aqui do Contrastes, e da Nicole Weiss, autora de 'Doze'.

Aguardem! ; )