segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Todo dia

Todo dia eu choro uma lágrima ou duas. Talvez eu seja sensível demais. Talvez haja sensibilizantes demais. Talvez ambas as demasias ocorram concomitantemente. Que há um bocado bem grande de coisas nessa terra de meu deus. E há um bocado bem grande de eventos nessa terra de meu deus. E não me parece estranha a possibilidade de que um bom bocado desses bons bocados me impressione. Há uma moça cantando; há nuvens chovendo; há uma cadelinha ronronando; há alguma mãe morrendo; há algum filho poetando; há algum dia se desvanecendo. Há tanta coisa. Há tanta vida. Há tanto fim. E talvez seja por isso, por saber tanta coisa, por sentir tanta vida, por sobreviver a tanto fim, que eu seja assim, um menino que, todo dia, chora uma lágrima ou duas.

Wilton Bastos
040213