domingo, 24 de fevereiro de 2013

Neve

  Querida lua,
   Escrevo para ti de tão distante....
  Os invernos são frios e melancólicos por aqui, dotados de uma ternura pura e reconfortante.

  Não sei lhe dizer ao certo do que mais sinto saudade...
  do Sol que nos abençoava, carinhoso.
  Dos pinheiros de galhos secos que se moviam leves e suaves ao vento.
  De seu olhar, calmo e luminoso.
  Da nossa liberdade, vivendo em nosso próprio tempo...
  Queimei minha perna ao derramar o que seria minha nona xícara de café; sim, continuo desastrado como sempre. E paranoico. Pois o estranho formato que a queimadura adquiriu me lembrou sua linda silhueta.

 Passei a tarde toda a varrer as folhas secas no meu jardim.
 E isso me lembrou você.
 O vento forte que atravessou a janela aberta do meu quarto derrubou meu violão.
 E isso me lembrou você.
 E a única lágrima amarga e salgada que escorreu solitária por meu velho rosto cansado...
 Era você.

 A neve cai em ondas e ergo minha visão aos céus para vê-la. Mesmo a escuridão da noite, tudo me parece tão branco... Como seu os céus e os horizontes ao meu redor tivessem enfim se fundido, tornando-se um só. O vento uivante ecoa em meus ouvidos mas não penetra o tão sufocante silêncio atmosférico que paira em minha mente.
E a neve nunca para de cair. Aqui dentro, ela sempre cai. Manchando, despejando você em minha alma. Sempre.