terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Vacas de Nova Iorque – de Murillo Magaroti


Ela é tão vaca - dizia uma amiga pra outra - que a vigilância sanitária interditou o banheiro dela por altos índices de gás metano.
A segunda caiu na gargalhada e depois de soluçar, de tapas na coxa e de puxar o fôlego, confessou que não tinha entendido a piada. A primeira se perguntou por que ainda insistia naquela amizade.
Em geral, as duas amigas, as moças da mesma idade, as mais velhas e as mais novas, desejavam poder gritar sua liberdade sexual para deus, o papa e o mundo, mas não o faziam. Sabiam que seriam vistas como galinhas, putas. Como vacas – cuja bosta iluminaria Nova Iorque por meses. E mesmo vivendo no mesmo mundo que elas, o mundo das sensações, os homens da idade delas, os mais novos e os mais velhos, também insistiam no que os olhos – os deles e os dos outros – diziam. A grande maioria não namoraria uma atriz pornô, por exemplo. Mas, do outro lado da cidade:
- Eu namoraria, cara. - dizia um amigo pro outro -. E se alguém falasse algo, eu diria: ‘você já bateu uma pra ela, seus argumentos são inválidos!’