terça-feira, 5 de março de 2013

Conto: Perfeita pra mim

Este conto é baseado num livro que escrevi quando tinha 14 anos!! Espero que gostem...


Parte 1

Beleza como podemos defina-la? Olhos claros, cabelos sedosos, pele delicada e corpo esguio? Não acho que esse é o arquétipo que todos deviam seguir ou pelo menos era disso que eu tentava me convencer todos os dias desde o acidente de carro em que meus pais morreram. Um acidente que não apenas deixou marcas incuráveis no meu coração, mas que também deixou meu rosto completamente desfigurado e era doloroso de mais me olhar no espelho. 
Desde o acidente eu me tranquei em casa e não aceitei o consolo de ninguém, mas levando em consideração que minha família não possuía muitos bens, não precisei evitar as visitas por muito tempo. Até mesmo meus antigos amigos de colégio desistiram de mim, mas esse afastamento foi bom, pois a desistência deles mostrava que eu não havia perdido nada. Mostrava que eram tão superficiais quanto a definição que existia sobre a beleza. 
O isolamento era meu jeito tétrico de suportar a dor. Não queria ninguém me fazendo perguntas ou com pena de mim. As lembranças eram o suficiente para me destruir de dentro para fora. Os pesadelos não me deixavam dormir, era só fechar os olhos e todas as cenas do acidente surgiam em minha mente como em um filme de terror. Eu conseguia ver o corpo da minha mãe ao meu lado coberto por sangue, conseguia ver também o corpo do meu pai esmagado pelas ferragens, mas essas não eram as recordações que eu queria ter em minha mente. Eu queria mesmo era me lembrar dos nossos momentos felizes, mas nenhuma dessas lembranças existia mais.
Em uma noite de domingo depois de um pesadelo horrível com o acidente decidi pegar a antiga moto do meu pai e sair de casa pelo menos para tentar respirar. Coloquei o capacete preto que ele mais gostava e pilotei para fora da cidade. Quando cheguei a uma praça, parei a moto, me sentei em um banco de frente para uma pequena fonte prosaica e fiquei observando enquanto as lágrimas insistiam em escorrer pelo meu rosto. Aproximei-me ainda mais da fonte, retirei o capacete e fiquei observando o reflexo do meu rosto na água, mas de repente alguém tropeçou em mim, como se já não bastasse todos os meus problemas, alguém ainda tinha que tropeçar em mim.
__Você é cego? __ perguntei me virando para encarar o insolente.
__Sim eu sou cego, então me desculpe eu não queria... __ respondeu desajeitado.
__ Eu não sabia me desculpe! __ respondi para criatura mais linda que já havia visto. 



Ele era alto e tinha os cabelos loiros na altura dos ombros. Pensei que talvez ele fosse o arquétipo perfeito da beleza, algo que eu tanto repudiava.
__Está tudo bem! Eu já me acostumei com isso, não que eu tenha me acostumado a tropeçar nas pessoas, não foi isso que eu quis dizer, mas... __ ele parecia estar nervoso com a minha presença.
__ Eu entendi o que você quis dizer. __ me peguei sorrindo enquanto dizia essas palavras.
__Você está sozinha? __ perguntou receoso.
__Sim, estou! __ respondi olhando para ele, essa era a primeira vez depois do acidente eu consegui olhar no rosto de alguém.
__Meu nome é Pedro. __disse estendendo a mão direita.
__E o meu é Elizabeth. __ respondi pegando em sua mão com firmeza.
__Está tão tarde Elizabeth, pode ser perigoso para uma garota estar na rua até essa hora! __ ele parecia curioso.
__Eu não me importo, não tenho nada a perder! __ respondi com meu jeito pacóvio.
__ Nunca mais diga isso, sempre temos algo a perder. A vida por si só já é uma grande dádiva, eu, por exemplo, perdi meus pais quando ainda era uma criança e a única coisa que eles me deixaram foi uma antiga biblioteca, mas apesar de ter nascido cego e de ter dependido durante anos da bondade dos meus tios, aprendi a apreciar as pequenas coisas da vida. Quando eu leio um livro é maravilhoso, eu posso imaginar coisas que talvez eu nunca veja. Mas apesar de tudo isso eu ainda amo a minha vida e não a trocaria por nada! __ ele parecia tão sincero, mas eu não conseguia entender como alguém naquelas condições podia dizer tudo aquilo.
__ Mas você ainda tem seus tios. __ respondi me sentando novamente no banco.
__Infelizmente eles morreram no ano passado! Sinto falta deles todos os dias, mas me sinto honrado por tê-los tido em minha vida! Eles tinham um projeto para adaptar a antiga biblioteca dos meus pais em uma biblioteca exclusiva para cegos e hoje em dia estou tentando realizar o projeto deles para poder ajudar outras pessoas com a mesma deficiência que eu a enxergar mundos diferentes por meio da leitura. __ disse mantendo o corpo virado para mim.
__Uma biblioteca para cegos? __ nunca imaginei algo assim.
__Quer conhecer? __ perguntou empolgado.
__ Eu gostaria muito, mas haverá mais pessoas lá? __ eu não queria que ninguém visse meu rosto.
__Pode ficar tranquila, minha prima Luciana também estará lá. __ ele achou que me confortaria dizendo isso?
__Ela é como você? __ não consegui evitar a pergunta.
__Você quer dizer se ela também e deficiente visual? __ perguntou enquanto passava a mão por sua bengala.
__Não, não foi por isso que perguntei, eu... __ não queria constrangê-lo com essa pergunta.
__Ela também é cega, mas é uma garota incrível, tenho certeza que você vai gostar dela! Então vamos? __ respondeu sorrindo.
__Tudo bem eu vou com você! __ eu havia acabado de aceitar o convite de um estranho, mas como eu não tinha nada a perder, isso não seria um problema.
Deixei minha moto na praça e caminhei ao seu lado até chegarmos a um prédio antigo com grandes janelas azuis, ele tirou um bolo chaves do bolso e sem nenhum problema abriu a porta, parou por uns instantes na soleira e disse:
__Seja bem vinda a minha humilde biblioteca...
Fiquei impressionada com lugar, havia pelo menos umas cinquenta estantes, todas de madeira envernizada. Havia também tantos livros e eram todos bem grossos. Era um lugar fascinante não apenas por sua beleza, mas por sua organização.
__É um lugar maravilhoso! __ falei ainda admirando o lugar.
__Esse é o meu homizio... __ respondeu de cabeça baixa mexendo em sua bengala.
__Eu sempre sonhei em ter um lugar assim, onde eu pudesse me refugiar e me sentir segura, mas não acredito mais nestas coisas.
__Não diga isso, você parece ser tão jovem para dizer essas coisas. __ disse me olhando como se realmente pudesse me ver.
__Tenho 22 anos e desde a morte dos meus pais não convivo com outras pessoas, escolhi ficar sozinha! Você é a primeira pessoa que eu tenho contato depois da morte deles. __ desabafei tão naturalmente como se já o conhecesse há anos.
__Venha comigo, por favor.
Ele me levou para uma parte da biblioteca que mais lembrava uma galeria. Lá havia quadros lindos, havia pinturas de paisagens, de animais e um pouco de arte moderna. Fiquei admirando as obras.
__Essa era a coleção de arte dos meus pais __ disse enquanto tocava um dos quadros. __ apesar de ter nascido cego, minha mãe me trazia aqui todos os dias e descrevia as pinturas para mim. Sempre sonhei em um dia ver tudo isso, mas sabia que não poderia, então quando eles morreram eu me isolei nesta galeria e fiquei durante um bom tempo sem falar com ninguém. Ficava tentando imaginar as cores. Meus tios tentaram de tudo para me ajudar, mas eu não quis, até que um dia eles adotaram Luciana, uma criança linda e cheia de vida, ai então eu percebi que o mundo não girava ao meu redor, descobri que ela precisava de mim.
__Mas diferente de você não me restou nada! __ respondi ainda olhando para ele.
__Não sinta pena de si mesma, lembre-se que existem pessoas com o fardo mais pesado que o seu! __ disse segurando minha mão.
Senti uma sensação estranha, era como se uma descarga elétrica percorresse todo meu corpo, então puxei minha mão e sai correndo de lá. Quando cheguei à praça, encontrei a moto no mesmo lugar que a deixei, então coloquei meu capacete e voltei para casa o mais rápido que pude. Corri para o meu quarto e me olhei no espelho, repensei todas as palavras que Pedro havia dito, ele era apenas um estranho, mas teve o poder de mexer comigo. Passei aquela noite em claro, não conseguia parar de pensar nele, seu rosto, me perturbou a noite inteira, então assim que os primeiros raios de sol entraram por minha janela, decidir voltar lá e me desculpar.
Ao chegar à frente da biblioteca, senti minhas pernas bambearem e minhas mãos tremerem, mas eu não podia voltar atrás, então bati na porta e fiquei esperando ele aparecer, porém para minha surpresa, uma garotinha com longos cabelos negros abriu a porta.
__Quem é? __perguntou a garotinha.
Mas antes que eu pudesse responder, Pedro apareceu.
__Eu sabia que você iria voltar! __ disse se colocando entre a garotinha e eu.
__Vim me desculpar por ontem. __ respondi tentando manter a voz serena.
__Entre, por favor. __ respondeu abrindo caminho para mim.
Pedro me levou para uma das mesas da biblioteca, nos sentamos e a garotinha disse:
__Qual é o seu nome?
__Elizabeth e você deve ser a Luciana! __ respondi admirando a beleza dela.
__Sim, sou eu! __ela respondeu olhando para baixo. __Foi você que roubou as atenções do meu primo? Desde ontem ele não fala em outra coisa! __ ela deu um breve sorriso.
__Luciana! __ disse Pedro num tom de repreensão __ Você já terminou de ler seu livro?
__ Ainda não... __ respondeu se levantando.
__ Então vá terminar de ler! 
Assim que Luciana saiu Pedro se sentou ainda mais perto de mim.
__Está se sentindo melhor hoje? __ ele parecia nervoso com a minha presença.
__ Sim, eu pensei em tudo que me disse ontem e percebi que você tem toda razão, não posso viver assim me isolando do mundo, preciso de ajuda! __ novamente senti como se já o conhecesse.
__Então o que acha de me ajudar a organizar alguns livros? __perguntou já se levantando.
__ Eu gostaria muito.
Levantei-me e o segui. Era impressionante como ele caminhava por entre as estantes sem esbarrar em nada. De repente ele retirou um livro enorme de uma das prateleiras, nos sentamos novamente em uma das mesas e quando ele abriu o livro, me assustei ao ver que não havia nenhuma letra sequer.
__Isso é um livro? __ perguntei.
__ Sim, é crime e castigo de Dostoiévski __ respondeu sorrindo.
__Mas não tem nada escrito ai.
__Tem sim, mas não com as letras que você conhece, mas em braile. Todos os livros desta biblioteca são em braile! __ respondeu pegando minha mão e passando sobre as inscrições do livro.
__ É tão estranho, deve ser muito difícil aprender.
__Não, não é tão difícil, se você quiser posso te ensinar! __ disse abrindo um grande sorriso.
O tempo passou muito rápido e quando percebi já estava na hora do almoço, então almocei com eles e para minha surpresa ele cozinhava muito bem. Comemos estrogonofe de frango com arroz branco. Isso me trouxe lembranças de quando eu ainda tinha uma família.
Conhecer Luciana melhor também foi maravilhoso, ela era tão viva, tão esfuziante e isso me deixava envergonhada, pois no primeiro desafio que enfrentei na vida eu simplesmente me escondi, não tive a coragem que eles tinham. 
Quando decidi ir embora, caiu uma grande tempestade, os trovões eram assustadores. Luciana pediu para que eu ficasse, mas eu era apenas uma estranha, não podia explorar a hospitalidade deles, então peguei meu capacete e fui em direção à porta.
__Fique, por favor, pode ser muito perigoso voltar de moto com essa tempestade. __ disse Pedro me puxando pelo ombro.
__ Não posso! __ me virei ficando de frente para ele.
__Por favor... __ele se aproximou ainda mais de mim.
__Tudo bem eu vou ficar! __ eu podia sentir a respiração dele, mas por medo me afastei.
__Me desculpe, eu não...
__Está tudo bem. __ falei o interrompendo.
Voltamos juntos em silêncio, eu não queria admitir, mas algo estava mudando dentro de mim.
__Você vai ficar Lizy? Vai dormir aqui? __perguntou Luciana quando nos encontrou.
__Vou sim, seu primo me convenceu! __ respondi enquanto brincava com uma mecha de seu cabelo.
Pedro me levou para o quarto onde Luciana dormia, era um quarto muito simples, tinha apenas duas camas de solteiro e um pequeno guarda- roupas. 
__Espero que você durma bem! __ disse fechando a porta do quarto.
Assim que ele saiu Luciana pulou na minha cama.
__Você também gosta dele? __ perguntou com uma animação assustadora.
__Já está na hora da senhorita ir dormir.
__ Tudo bem, eu já estou indo, mas eu sei que ele gosta de você! __ disse sorrindo.
__Por que você está dizendo isso?
__Ele fica estranho quando você está por perto e bem que você poderia ser a primeira namorada dele.
__Primeira namorada? Quantos anos ele tem? __ como assim primeira namorada, ele era tão bonito, eu não conseguia acreditar nisso.
__Ele tem 23 anos, mas é muito tímido e também não é todo mundo que se sente a vontade com a gente.
__Não consigo acreditar nisso! __ eles eram as melhores pessoas que eu conheci desde a morte dos meus pais.
__Como você é Lizy? __ perguntou voltando para minha cama.
__Para uma mocinha da sua idade você é muito curiosa, sabia? __ ela aparentava ter pouco mais de 10 anos.
__ Me fala Lizy, por favor.
__Lú, você precisa dormir agora, depois conversamos sobre isso! __ eu não queria que ela descobrisse a verdade.
__Pelo menos o Pedro poderá ver seu rosto em breve... __ disse com a voz triste.
__Como assim? __ não entendi o que ela queria dizer.
__Diferente de mim o Pedro logo fará um transplante de córneas e poderá ver seu rosto.
__ Ele pode voltar a enxergar? __ eu não acreditava no que estava ouvindo.
__Sim, a cirurgia está prevista para daqui a uns três meses, você vai estar lá, não vai?
__Claro, vou estar sim! __ respondi ainda sem saber se ficava feliz ou triste com a notícia. __ Mas e você, quando será sua cirurgia?
__Eu não vou fazer cirurgia! Meu problema é diferente do dele, eu nasci com glaucoma, mas como meus pais não estavam preparados, não souberam como cuidar de mim, então por não ter usado os colírios certos, perdi minha visão ainda bem pequena, mas os tios do Pedro me adotaram e cuidaram de mim como se eu realmente fizesse parte da família e apesar de saber que nunca voltarei a enxergar sou grata por tudo que tenho! __ falou com uma maturidade incomum.
__Admiro muito você, sabia? __ respondi abraçando-a.
__Tenho medo de trovões, posso dormir com você? __ perguntou já se ajeitando ao meu lado.
__ Claro que pode.
Passei a noite pensando naquela conversa. Ela era tão novinha, mas era tão madura. Eu havia acabado de receber uma lição de vida, mas também não podia negar que algo estava crescendo em meu coração. Pedro era um homem maravilhoso, não apenas por sua beleza exterior, mas ele era ainda mais bonito por dentro, tinha um grande coração.
Aquela foi a primeira noite que consegui dormir sem ter pesadelos. Depois disso passei a ir todos os dias na biblioteca para ajuda-los a organizar os livros. Pedro pretendia inaugurar a biblioteca o mais rápido possível para que outros cegos pudessem apreciar a beleza dos livros e viajar para outros mundos sem sair do lugar assim como ele fazia.
A cada dia ficava mais próxima de Pedro, mas resistia com todas as minhas forças para não me render à aquele sentimento. Logo ele seria como todos os outros, podendo apreciar belezas reais, eu não queria estragar a imagem que ele havia criado de mim, não queria que ele visse meu rosto.
Voltei a viver, era como se eu tivesse uma família de novo. A biblioteca havia se tornado meu homizio também.

Parte 2

O dia da cirurgia havia chegado e pela primeira vez deixei que outras pessoas vissem meu rosto de novo. Elas me olhavam e observavam minhas cicatrizes e isso me incomodava de uma forma inimaginável, mas eu havia prometido estar lá ao lado deles nesse momento tão especial.
Antes de entrar na sala de cirurgia, Pedro me abraçou e disse:
__Sabe com que estou mais ansioso?
__Com o que? __ perguntei com medo do que ouviria.
__Estou ansioso para ver você! __ disse ao me beijar.
Fiquei sem reação, desejei aquele beijo por tanto tempo, mas sabia que quando ele visse meu rosto ficaria decepcionado. Ele entrou na sala de cirurgia e eu fiquei na sala de espera segurando a mão de Luciana. Ela estava tão nervosa que suas pequenas mãozinhas não paravam de tremer, mas enquanto esperávamos decidi escrever uma carta para ele.

Pedro se estiver lendo esta carta é porque sua cirurgia foi um sucesso, então gostaria que soubesse que estou muito feliz por você e que gostaria muito de estar ao seu lado quando acordasse, mas infelizmente não posso. Não quero estragar a imagem que criou de mim.
Saiba que amo você, amo como nunca imaginei que fosse possível, mas você não pode ficar preso a alguém como eu. Desculpe-me por não ter te contado a verdade sobre o acidente em que meus pais morreram, mas vou contar agora. O acidente não deixou apenas marcas no meu coração, mas também no meu rosto, tenho muitas cicatrizes, não sou bonita como você imagina, tenho um rosto horrível.
Então não me procure, quero que você continue com a imagem que criou de mim.
Adeus...
Elizabeth ou Lizy como diria a Luciana...

__O que você está escrevendo Lizy? __ perguntou Luciana assim que terminei de escrever.
__Eu fiz uma carta para o Pedro e gostaria que você entregasse a ele.__ disse enquanto entregava a carta a ela.
__Mas porque você mesma não entrega?
Assim que ela terminou de falar o médico entrou dizendo que a cirurgia havia terminado, mas que somente uma de nós poderia entrar, então disse a ela para ir primeiro e assim que ela saiu eu fui embora. Meu coração estava ganhando mais uma ferida, uma ferida profunda e dolorosa.
Quando cheguei em casa, fui direto para o meu quarto, me joguei em cima da cama e voltei para a companhia da solidão com as minhas lembranças. Tudo parecia ter voltado ao seu lugar, os dias passavam e nada mais fazia sentido. Percebi que sonhar é privilegio para poucos e sonhar no meu caso foi pérfido. Eu deveria ter imaginado que pessoas com a minha aparência não tem direito de serem felizes. Pelo menos nunca ouvi falar de princesas ou heroínas com rostos deformados, elas são sempre tão perfeitas, tão lindas, mas eu já deveria saber que finais felizes não eram para mim.
Duas semanas depois, em uma fria manhã de sábado, alguém bateu a minha porta e isso não era comum, então fiquei esperando que a pessoa desistisse e fosse embora, mas isso não aconteceu. As batidas ficaram cada vez mais fortes, até que de repente ouvi um grande barulho, era como se alguém tivesse arrombado a porta. Em seguida ouvi o som de passos se aproximando do meu quarto, tentei me esconder, mas não deu tempo, o som da voz que veio a seguir era familiar e estava bem atrás de mim.
__Não precisa fugir de mim.
__Pedro, eu não quero que você me veja assim. __ respondi tentando esconder meu rosto com as mãos.
__Lizy, eu amo você e é apenas isso que importa __ disse enquanto tentava me abraçar __ Eu amo você, eu a amei desde o primeiro dia e nada vai mudar isso.
__Será que você não consegue entender? Eu não sou a pessoa certa para você! __ me virei de frente para ele. __ Olhe para mim, olhe para o meu rosto, veja como eu realmente sou! __ as lágrimas escorriam pelo meu rosto sem que eu pudesse as controlar.
__Você sabe definir a palavra perfeição? __ perguntou olhando nos meus olhos.
__Eu não me encaixo em nenhuma das definições... __respondi tentando desviar o olhar.
__Não é a definição que importa! __ disse ao levantar meu rosto.
__E o que importa para você? __ perguntei olhando em seus olhos. 
__Você ainda não entendeu o que eu quis dizer? __ perguntou me puxando para ainda mais perto dele __Você é perfeita pra mim e é isso que importa.
Ele me beijou sem se importar com a minha aparência, ele realmente me amava. Luciana entrou em seguida e completou o abraço. Agora se me pedissem para definir a beleza eu diria que esse momento era a definição perfeita.