segunda-feira, 4 de março de 2013

Sangue, suor e farinha

A sorte não tá do nosso lado. Do nosso não, do meu: somos vários, mas estamos sós. Sim, a sorte... e o sucesso. Que o sucesso é uma questão de sorte. Perguntaram a um qualquer fracassado, e ele concordou... de súbito e sem ressalvas... Nasceu com pais com algum senso de culpa e adinheirados: tem comida à mesa. Nasceu com pais miseráveis ou irresponsáveis, quando não sem pais: come sangue, suor e farinha. Ou dorme: dormir tira a fome...

E a crescente mobilidade social? À merda a ascensão social! Se tu tem seus dez anos, essa porra não existe nem pra inglês ver, nem nas hipermetropes escolas ou nos nossos míopes dicionários. A gente “tinha” um presente inglório, um passado inglório, e só se via tendo um futuro inglório, se é que se pode chamar de futuro o que a gente antevia...

Moleque fazer proveito? Só se for pra algum cafetão. Que pra gente mesmo não ficava nada. Só o sangue, o suor e a farinha. Minto. Pruns moleques sobrava algum. Eles se davam a alguma opulência adulterada no outro Estado. Mas eles não estão vivos pra me desmentir. De qualquer modo, no fim, restou o sangue, o suor e a farinha. Mais sangue que suor. Mais suor que farinha.

Wilton Bastos
2013